Financiamento
O principal elemento de venda das instituições financeiras que anunciam
financiamentos para carros novos são as baixas taxas de juros. O candidato à
compra de um carro novo financiado depara com mensagens publicitárias anunciando
taxas inferiores a 2% ao mês. Comparadas com os mais de 8% em média dos cheques
especiais e cartões de crédito, essas condições parecem uma pechincha. Mas esse
é mais um dos freqüentes casos em que as aparências enganam. Na ponta do lápis,
os juros não são tão camaradas assim. É um fato que as taxas do financiamento
imobiliário são bem menores que as outras, mas isso ocorre principalmente porque
esses empréstimos são mais seguros. No caso de um cheque especial ou do
pagamento de um restaurante com um cartão de crédito, o banco terá dificuldade
em recuperar o dinheiro. Já no caso do financiamento de carros, o banco pode
retomar a posse do bem a qualquer momento.
Outro ponto importante é que um carro é um bem de valor elevado. Um carro
básico zero custa cerca de 25.000 reais, sem contar gastos como licenciamento,
seguro e imposto. Veículos mais sofisticados de nível médio custam entre 60.000
e 80.000 reais.
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As taxas são menores para quem compra
carros mais luxuosos por prazos menores. Por exemplo, um Celta duas portas novo
custa à vista 24.800 reais. Financiado sem entrada pelo prazo de 60 meses, ele
vai custar pouco mais de 38.000 reais - ou seja, o preço final sobe cerca de
65%, sem contar gastos como a Taxa de Abertura de Cadastro (TAC) e o
processamento dos boletos bancários. Com mais 9.000 reais é possível comprar
outro carro à vista. Essa situação melhora para financiamentos mais curtos e com
entrada. Quem comprar o carro em 36 prestações e conseguir desembolsar 50% do
valor como entrada vai ter de pagar cerca de 29.500 reais pelo Celta, ou seja,
uma economia de quase 8.500 reais em relação ao financiamento mais longo.
A situação melhora com os carros mais caros. Um Civic LXS 2007 custa cerca de
66.800 reais à vista. No financiamento mais longo, 60 meses, sem entrada, o preço final, descontando- se TAC e boletos, é de
cerca de 96 000 reais. A diferença para os mesmos 60 meses cai para 45%, salgado, mas melhor que o carro mais básico. Nesses casos, a vantagem em optar
por financiamentos mais curtos é ainda maior. O total pago a mais é de 25% para
empréstimos de 36 meses, ante um aumento de 44% no caso dos carros mais baratos.
Leasing e Consórcio
O mercado oferece dois outros produtos bem conhecidos, o leasing e o consórcio. São opções
que vêm perdendo espaço nos últimos tempos devido à abundância de financiamento,
mas podem esconder um bom negócio. O leasing não é a rigor um financiamento e
sim uma espécie de aluguel, em que quem aluga tem a opção de comprar o bem ao
fim do contrato. Na prática, é o banco que compra o automóvel, que fica em seu
nome enquanto o arrendatário pagar um aluguel mensal por um período
predeterminado - pelo menos dois anos. Esse "aluguel" pode ser mais barato que
os juros do financiamento em alguns casos, tornando o leasing uma opção mais
interessante, embora com algumas restrições.
O leasing era muito comum e cresceu bastante no fim da década de 90, até
ocorrer a desvalorização cambial em 1999. Hoje é contratado mais por empresas,
devido a vantagens contábeis e fiscais. No caso de pessoa física, as
dificuldades e custos costumam ser maiores. O automóvel que a empresa adquire
sob a forma de leasing não é exatamente "comprado". Embora a empresa use o
veículo, o proprietário de direito é o banco. Por isso, ele não entra no balanço
No primeiro leva-se o carro na hora, mas não em seu nome. No segundo há taxas
menores, porém o veículo demora a chegar como ativo e sim como uma despesa
financeira, que reduz o lucro e o imposto de renda a pagar.
Além da vantagem fiscal, há ganhos financeiros, pois os juros costumam ser
menores que os de um financiamento. Portanto, essa operação vale a pena para
quem é dono de um pequeno negócio e pensa em comprar um carro novo. A
desvantagem é que quem faz um leasing tem de ficar "preso" até o fim do
contrato. Há algumas restrições. Por exemplo, antecipar parcelas não alivia a
conta dos juros.
O consórcio - como o cheque pré-datado - é uma invenção brasileira. Ele
consiste em um grupo de pessoas que se une para pagar um valor mensal e adquirir
o veículo. Os consorciados podem antecipar o recebimento do veículo por meio de
um lance ou de sorteios. A vantagem é que o consórcio é uma opção praticamente
sem juros - verifique apenas outras taxas, como as administrativas e fundos de
reserva, por exemplo. Outra vantagem é poder comprar pelo preço de tabela um
carro que só existe no mercado com ágio, caso do Honda Civic.
Exigência de fiador
O risco que o consorciado corre é o de não levar o carro para casa tão cedo.
Existe uma burocracia no momento em que o participante é contemplado e logo tem de arcar
com as parcelas a vencer. Nesses casos, a dor de cabeça lembra muito a de um
financiamento, como as garantias exigidas, que podem incluir a apresentação de
um fiador.
Qual é o melhor? O consórcio tem a desvantagem de receber o
automóvel só depois, mas é interessante como uma poupança compulsória. Não é
uma grande aplicação, mas ajuda muito quem não tem a disciplina financeira
necessária. A pessoa que não tivesse cotas para pagar provavelmente gastaria o
dinheiro. Um financiamento cobra uma taxa muito alta de juros pelo
período todo.
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